Na última sexta-feira (18), o Coletivo Capoeira em Movimento Bahia (CMB) e a Salvaguarda da Capoeira da Bahia participaram da Roda de Conversa sobre a Capoeira como componente curricular da rede pública de ensino de Salvador. O encontro foi realizado no Largo da Dinha, no Rio Vermelho, com uma programação que uniu cultura, memória e mobilização social.

O debate foi organizado pelo mandato do vereador Hamilton Assis (PSOL), que apresentou o Projeto de Lei 255/2025, propondo a regulamentação da Capoeira como parte do currículo escolar da rede municipal. A proposta atualiza e dá seguimento à luta iniciada pelo projeto do ex-vereador Augusto Vasconcelos, vetado pelo prefeito Bruno Reis à época.
A atividade começou com uma berimbalada seguida de uma roda de capoeira, reunindo mestres, mestras, contramestres e praticantes de diversos grupos e segmentos da cidade. Depois, a conversa girou em torno da importância da Capoeira como ferramenta de educação, cultura e combate ao racismo estrutural.
Para Jacaré DiAlabama, coordenador geral do CMB, o projeto é um passo importante para fortalecer a pauta da Capoeira nas escolas públicas. “A apresentação desse projeto é encarado como algo positivo, ter mais uma força política envolvida nessa luta da Capoeira. Isso nos fortalece. Saúdo essa proposta e, sobretudo, saúdo a parceria. Porque esse é o desejo do tempo: transformar essa realidade e fazer da Capoeira um direito de todas as crianças.”
A presidenta da Salvaguarda da Capoeira da Bahia, Mestra Princesa, também destacou a urgência da implementação da Capoeira nas escolas públicas, criticando a desigualdade no acesso. “A Capoeira na escola é uma ação de salvaguarda. Nas escolas privadas, as crianças têm a Capoeira como atrativo, enquanto nas escolas públicas, as crianças das nossas comunidades não têm esse acesso. Isso é um contraste, uma contradição. A gente já teve uma proposta de lei vetada pelo prefeito Bruno Reis. Agora temos mais uma oportunidade de fazer esse debate, de trazer a proposta novamente. É preciso se inteirar do que está acontecendo. A Capoeira precisa estar nas escolas públicas.”
O encontro contou ainda com as presenças do deputado estadual Hilton Coelho (PSOL-BA), da vereadora Karen Santos (PSOL/RS), além de representantes de grupos de capoeira, mestres, mestras, educadores e militantes de movimentos sociais.
A luta pela Capoeira nas escolas públicas é também uma luta por memória, cultura e direito à educação antirracista. O CMB segue firme na campanha “Capoeira nas Escolas Públicas Já!”, mobilizando a sociedade para garantir que esse saber ancestral chegue a todas as salas de aula, do presente e do futuro.