
O Coletivo Capoeira em Movimento Bahia (CMB) participou, na última quarta-feira (23), da primeira reunião oficial do Comitê Gestor do Projeto Capoeira das Escolas: Movimento, Identidade e Ancestralidade, realizada no auditório da Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC), no Centro Administrativo da Bahia (CAB). O encontro, que reuniu lideranças da capoeira e representantes de diversos órgãos públicos, representa um marco histórico na consolidação da capoeira como política pública na rede estadual de ensino.
A criação do comitê, que nasce a partir da regulamentação da Lei Moa do Katendê (2024), garante o reconhecimento da capoeira como patrimônio imaterial e sua presença efetiva nas escolas estaduais. Para o CMB, a iniciativa é fruto direto da luta de décadas dos mestres e mestras de capoeira por dignidade, visibilidade e respeito.
“Estamos diante de um momento de virada. Ver mestres e mestras de capoeira ocupando o centro das decisões sobre educação pública é resultado de uma caminhada longa, feita com corpo, memória e resistência. O Comitê é mais do que um espaço de gestão: é um instrumento político de reparação e de construção de futuro”, afirmou Jacaré DiAlabama, coordenador geral do Coletivo Capoeira em Movimento Bahia.
O Comitê é composto por representantes da SEC, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult), do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI), da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), além de mestres de Capoeira Angola e Regional, coletivos e grupos de diversas regiões do estado. O Coletivo Capoeira em Movimento Bahia integra o Comitê como uma das organizações que vêm contribuindo para o fortalecimento da política pública de capoeira na educação.
O Projeto
O projeto Capoeira das Escolas já está presente em cerca de 600 escolas da rede estadual e beneficia mais de 14 mil estudantes, com ações que envolvem oficinas educativas, formação de oficineiros, distribuição de instrumentos musicais e realização de festivais. As escolas receberam, cada uma, um investimento médio de R$ 2.400 para aquisição dos chamados kits ginga, compostos por berimbau, atabaque, pandeiro, agogô, caxixi, reco-reco e dobrão.
Fundamentado em uma proposta pedagógica afrocentrada, o projeto atua em consonância com as Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que determinam o ensino da história e da cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. A iniciativa busca promover o combate ao racismo, sexismo e outras formas de opressão, incentivando a valorização da diversidade e o protagonismo das culturas negras.
Ao reafirmar a capoeira como patrimônio vivo e instrumento de educação crítica, a Bahia dá um passo importante na construção de uma escola mais plural, justa e conectada com as raízes do povo baiano.